Para sindicato, Cidade Verde é desumana com funcionários. Já a empresa, diz que intervalos solicitados por motoristas e cobradores é “impraticável”.

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Imagem Ilustrativa

Os rodoviários da Viação Cidade Verde, concessionária do transporte coletivo urbano de Vitória da Conquista, estão insatisfeitos com a carga horária da companhia que disponibiliza escalas com intervalos que vão de 1 a 2 horas durante a jornada de trabalho. De acordo com o sindicato da categoria, seria possível fracionar os intervalos em 15 ou 20 minutos, o que não penalizaria os trabalhadores. Por sua vez a empresa responde que o fracionamento defendido pelos sindicalistas é impraticável para operação do sistema. Cerca de 170 trabalhadores estariam dispostos a abandonarem seus empregos.

Em recente entrevista à Rádio Clube FM, o presidente do Sintravc – Sindicato dos Rodoviários de Vitória da Conquista e Região, Álvaro Souza, destacou que motoristas e cobradores da Cidade Verde passam por situação difícil, “a companhia colocou uma carga que o trabalhador não está suportando” disse, relatando que o problema não se repete com a outra operadora, a Viação Vitória.

“Infelizmente o Sintravc insiste em querer desconstruir a imagem da empresa e tenta de alguma maneira desestimular nossos colaboradores” respondeu o diretor da Cidade Verde, Sergio Hubner, também em entrevista à Rádio Clube. Ele explicou que  o problema do intervalo não começa com a Cidade Verde: Há uma ação civil pública contra as operadoras do sistema de transporte de Vitória da Conquista, antes da chegada da companhia. A empresa operava há dois meses na cidade, quando participou enquanto ouvinte de uma audiência na Justiça do Trabalho que discutia o intervalo. Era solicitado na ocasião que cobradores e motoristas tivessem um intervalo conforme o Art. 71 da CLT, que diz que os trabalhadores que atuam acima de 6 horas tem direito de um intervalo com no mínimo 1 e no máximo 2 horas.

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Rodoviários aguardam na Avenida Lauro de Freitas pelo final do intervalo de almoço, “desconforto” denuncia sindicato.

Hubner destacou que por experiencia a Cidade Verde sabia que a operação dessa proposta não seria simples, alertando o sindicato sobre a legalidade da proposta, mas que ela geraria impactos e que havia outras maneiras de se cumprir a Lei sem que se gerasse impactos na vida do trabalhador. Segundo o diretor há documentos oficiais informando que a companhia e o próprio Sintravc se reuniram para construir uma escala com intervalos de uma, duas e três horas e ambos chegaram a conclusão que não é possível viabilizar a escala sem ampliar o quadro de funcionários, sem onerar a tarifa e reduzir os ganhos dos trabalhadores já existentes.

“Quando o Álvaro vem a público dizer que a categoria está insatisfeita, é verdade. Mas não está satisfeita com o quê? Com intervalo ou com o reflexo que isso trouxe à vida do trabalhador?” questionou o gestor, “a Cidade Verde apenas está praticando uma escala que o próprio sindicato apontou através de assembleias” afirmou, apontando por fim que “o real problema do trabalhador é que ele tinha um orçamento e agora o orçamento não está cobrindo”.

Com isso todos trabalham em regime normal, sem horas extras. Foram contratados 60 funcionários para cobrir o horário de almoço. Ainda segundo o Sintravc a empresa não oferece nenhuma estrutura de abrigos e muitos funcionários esperam na rua sem o mínimo conforto até o final do intervalo. A discussão tramita no Tribunal Regional do Trabalho.